Viver a Vida - 1
Dr. Marcelo Mariano da Silva, Médico Neurologista, Especialista em Dor e Cuidados Paliativos. 09/09/2009

Aviões, trem bala, internet de alta velocidade, exames médicos sofisticadíssimos, celulares 3G, TV digital, segurança eletrônica, refeições instantâneas. Ufa! Quanta coisa a tecnologia e a ciência trouxeram para o cotidiano da vida moderna. Facilitando nossa vida, otimizando nosso tempo, trazendo cura para doenças antes incuráveis, diagnósticos precoces possibilitando aumento da estimativa de vida da população.
Apesar de tudo, a vida moderna trouxe também mudanças no nosso estilo de vida físico, mental e espiritual. Algumas boas, mas muitas não tão “boas”. Vivemos a vida correndo, reduzimos nosso tempo de sono, o almoço com a família, apenas no domingo e olhe lá, os relacionamentos são virtuais, pensamos em vida saudável muitas vezes apenas quando descobrimos uma alteração no peso, colesterol, glicemia e etc. Enfim, a vida moderna , cujo objetivo era nos trazer maior disponibilidade de tempo para vivermos a vida com qualidade, ou seja, bem estar físico e emocional, não tem acontecido na vida de muitos de nós.
Recentemente em uma conferência fiz uma pergunta aos participantes: Hoje o que lhe traz sentido a vida? Depois de 5 minutos repeti a pergunta, porém num contexto em que pessoa tivesse o conhecimento que tem um problema de saúde com expectativa de vida de 2 semanas. Por incrível que pareça, as respostas foram totalmente opostas nos dois contextos. Pensando nisso, decidi implantar nas minhas consultas, no meu dia-a-dia sugestões que pudessem melhor não apenas o tempo de vida dos meus pacientes, mas a qualidade desse tempo de vida.
Gostaria de compartilhar então nas próximas semanas alguns princípios simples, que não envolvem recursos financeiros, grandes estudos ou coisa assim, mas apenas decisão. E que podem dar qualidade aos nossos dias de vida. Alguns princípios filosóficos, outras do ponto de vida médico e etc.
O primeiro princípio: Defina as prioridades da sua vida. Como médico, vejo muitos pacientes, amigos e que tem dificuldade em definir quais são suas prioridades. É comum, por exemplo, mulheres jovens que me procuram por crises quase diárias de enxaqueca, já consultaram diversos profissionais, mas nenhum perguntou da sua rotina, do seu hábito de sono, da sua dieta e etc. E quando pergunto percebo que, apresentam tripla jornada (trabalho, cuidados com a família e faculdade), dorme de 4-5 horas por noite, são estressadas, impacientes, o período de tempo do almoço é trocado por um lanche afim de que sobre tempo para concluir alguma outra atividade. Enfim o sistema físico e por conseqüência o emocional estão no limite. Nesses casos o sucesso do tratamento, só ocorre quando junto com as medidas médicas ocorrem mudanças no estilo de vida, nos hábitos diários.
Melhorar a qualidade de vida envolve definir prioridades, e muitas vezes hábitos devem ser abandonados, ajustes na jornada de horários, priorizar pessoas e não coisas, adotar uma dieta saudável, construir bons relacionamentos com amigos e familiares. Tudo isso, só acontece quando há decisão e persistência. Um “gordinho” não consegue fazer as pazes com a balança se não manter firme sua decisão de seguir diariamente a dieta proposta.
Você poderia talvez ao ler tudo isso pensar ou agir de forma a sempre adiar suas decisões, e como médico posso dizer que pude vivenciar por inúmeras vezes os dois extremos da vida, o nascimento e a morte. E como profissional médico muitas vezes ao dar um diagnóstico de uma doença degenerativa, ou um câncer avançado, ou mesmo uma doença que tenha cura, mas que coloca a vida em risco, vejo nos rostos e nas conversas que muitas longos anos da vida e só percebem que não tiveram prioridades, que 40 – 50 anos que viveram até ali, não conseguem notar significado, estão cansadas, desgastadas do aspecto físico e mental. Não adie suas decisões, viva a vida com metas, prioridades.
E vale apenas citar para concluir dois pensamentos, um do autor Alan Sachs “A morte é mais universal que vida; todo mundo morre, mas nem todo mundo vive”; e a outra de Harold Kushner “Estou convencido de que o medo de morrer, de nossa vida chegar ao fim, não tira tanto o sono quanto o medo... que atinge a todos de que talvez não tenhamos vivido”.
Na próxima semana, conversaremos sobre o segundo principio: Viver a vida apaixonadamente!
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