Males da vida moderna
Kátia Mello (katia.mello@folhauniversal.com.br)

“Quando um cliente me manda um e-mail, espera que em meia hora tenha uma resposta na caixa de entrada. Senão, são cinco ligações perdidas no meu celular com cobranças”, conta Tânia Oda, de 27 anos, produtora cultural. “A internet acelerou os processos e isso deixou as pessoas meio loucas. Está todo mundo mais ansioso, mais preocupado, quer tudo mais rápido”, diz. Tânia está, atualmente, fazendo terapia e tomando remédios para combater os diagnósticos de depressão profunda, depressão nervosa e estado de estresse, resultado de uma vida corrida que exige eficiência, soluções rápidas e o exercício de várias tarefas conjuntas, que geram um estado ansioso permanente. E a angústia se torna depressão.

“Hoje em dia, a pressa é muito comum. Vivemos em um ritmo mais rápido do que antigamente. Mas a síndrome da pressa traz características específicas: a sensação de urgência, de fazer mais coisa em menos tempo; a polifasia ou multitarefa, quando a pessoa acumula tarefas e as executa ao mesmo tempo; e a hostilidade, isto é, quando a pessoa é interrompida por outra, se sente muito irritada e pode ter um comportamento hostil”, explica a psicóloga Marilda Lipp, professora da PUC-Campinas. Marilda fez um estudo com mais de 2 mil voluntários de idade superior a 25 anos e constatou que 65% deles vivem apressadamente.

A síndrome da pressa foi cunhada em 1959 nos Estados Unidos pelo médico cardiologista Meyer Friedman, mas parece fazer mais sentido nos dias de hoje, em que as pessoas estão constantemente conectadas e podem dar respostas rápidas a tudo, ou que as distâncias ficaram ainda maiores por conta do trânsito das grandes cidades.

“Quem vive apressado, deixa o corpo em alerta constante e produz altos níveis de adrenalina”, diz a professora. Entre os efeitos relatados por pacientes que vivem com pressa estão o aumento da pressão arterial, problemas de pele e de estômago, tensão muscular, sono agitado, falhas de memória, depressão, transtornos alimentares, além de problemas cardíacos mais graves.

Essas pessoas também costumam se tornar hostis e impacientes com terceiros, afetando seus relacionamentos sociais e profissionais. Um dos caminhos para combater a síndrome é determinar prioridades, cumprir uma tarefa de cada vez, fazer exercícios respiratórios e procurar atividades que causem relaxamento, como ioga, passeios e leituras.

Outro sintoma relacionado à ansiedade decorre da dificuldade de se desconectar da vida virtual. Celulares e aparelhos eletrônicos têm feito com que muita gente viva o tempo todo conectado à internet. Tal síndrome foi chamada de “fomo” (do inglês, fear of missing out, ou em tradução livre “medo de perder algo”), estado de angústia relacionada às pessoas que assistem às vidas alheias nas redes sociais e sentem que estão perdendo grandes festas ou têm a sensação de que a vida do vizinho é sempre mais divertida.

“A sensação de felicidade alheia é relativa. Depende do olhar de quem está vendo. As redes sociais dão a sensação de que somos mais próximos das pessoas e acabamos nos comportando um pouco como a vizinha fofoqueira, não porque gostamos de fofoca, mas porque a internet possibilita essa troca intensa de informação”, defende a psicóloga Ana Luiza Mano, do Núcleo de Pesquisa da Psicologia em Informática da PUC-SP.

“Agora, se a pessoa está olhando a vida do outro e a achando mais interessante, ou sente essa angústia de estar perdendo algo, depende mais da autoaceitação, de saber que não se pode fazer ou ser tudo, e aceitar suas escolhas, além de aceitar que existem vidas diferentes da sua”, completa.
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