Me dói tudo, o tempo todo!
Dr. Marcelo Mariano da Silva.

Doutor eu não sei o que faço, tenho dor o tempo todo. O que eu tenho afinal de contas? Esta com certeza é a pergunta de diversos pacientes, principalmente as mulheres. Visitas a dezenas de consultórios, respostas das mais diversas, série de exames e diagnósticos que vão de hipocondria, “reumatismo”, e as vezes que é uma dor psicológica. Esta é a vida dos pacientes que sofrem de fibromialgia, um quadro de dor crônica generalizada que atormenta a vida dos portadores.
Uma doença relativamente pouco conhecida e as vezes mal detectada. Estudos realizados nos Estados Unidos e Europa mostram que a doença pode afetar até 6% dos pacientes de consultórios de clínica geral. Predomina nas mulheres entre 80-90% dos casos, com idade entre 30-60 anos.
Como as causas ainda não são totalmente conhecidas, chamamos a fibromialgia de Síndrome, pois além da dor generealizada existem vários sintomas associados como perturbações do sono, fadiga crônica, enxaqueca e aumento da sensibilidade tátil, visual, auditiva e a cheiros. Alterações de humor, dificuldade de concentração e cólicas menstruais intensas também são comuns. Porém apesar de tudo isso, não existe um exame se quer capaz de confirmar o diagnóstico, ou seja, a confirmação é feita através de uma consulta médica bem detalhada feita por um profissional que conheça do assunto.
Por várias décadas o assunto foi negligenciado, mas a partir da década de 80,as primeiras evidências surgiram quando Siegfried Mense da Universidade de Heidelberg, conseguiu mostrar em ratos sintomas semelhantes aos que pacientes com fibromialgia sentem. Hoje a idéia mais aceita é que existe uma redução do limiar de dor, ou seja, o cérebro passa a interpretar estímulos não dolorosos como causadores de dor , isto por alterações bioquímicas nos nervos periféricos e uma hipersensibilidade no córtex cerebral. Em síntese os pacientes possuem alterações nas estruturas que transmitem e codificam a dor.
A genética seria um dos fatores predisponentes mais importante, seguido por aspectos emocionais e ciclo hormonal. É muito comum ainda os distúrbios do sono com o relato pelos pacientes de “dormirem mal pela dor”. As alterações do sono notada nos pacientes ocorrem principalmente no estágio 4 do sono, levando a um sono superficial e não restaurador.
Medicamentos analgésicos e antiinflamatórios raramente fazem algum efeito. Os medicamentos de escolha são os antidepressivos e mesmo assim sua eficácia não é percebida por todos os pacientes. Psicoterapia com o objetivo de trabalhar com percepção da dor apresenta resposta satisfatória.
De um modo geral, apesar dos avanços nas últimas décadas, muito ainda precisa ser estudado. A associação de alguns medicamentos com psicoterapia ainda é o que tem se mostrado mais promissor.

Bibliografia:

Síndrome da Fibromialgia. Leon Chaitow. Manole, 2002.

O corpo sente, o corpo dói. Evelin Goldenberg. Atheneu, 2005.

Functional Imaginf of pain in patients with primary fibromyalgia. D.Cook et., al em Rheumatology, vol. 31, n 2 pags. 364-378, 2004.

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